O guia de turismo que morreu atingido por um raio na Pedra da Gávea, no Rio, era o mais velho de 4 irmãos e o provedor da família. Leilson Souza, de 36 anos, era estudante de gestão ambiental, trabalhava como guia há 6 anos e amava a natureza, segundo seu irmão.
“Na hora a gente não acreditou, por toda forma como aconteceu, porque a gente nunca imagina. A gente imagina morrer de qualquer jeito, mas por um raio, é complicado. Ele era uma pessoa excelente, fazia de tudo por todo mundo. Era um cara que sempre queria levar pessoas especiais, pessoas idosas, pra trilha. O negócio dele era montanhismo, natureza”, disse Leonardo Barros.
Leilson estava na localidade da Cadeirinha quando um relâmpago o acertou, por volta das 11h de domingo (19). Ele acompanhava um grupo até o alto da Pedra da Gávea — uma das trilhas mais difíceis do Rio — quando a chuva veio antes do previsto.

Bombeiros tiveram de pegar um helicóptero para remover o corpo.
Nas redes sociais, Leilson postava registros de passeios na Pedra da Gávea e em outras montanhas.
O corpo dele será velado das 11h às 15h desta terça-feira (21) na capela VIP do Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, na Zona Oeste.
A turista Karlla Conceição Araújo da Silva, de 26 anos, de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, gravou o momento em que o raio caiu e matou o guia. Ela e o marido eram acompanhados pelo profissional durante a trilha na Pedra da Gávea.
Karlla mostrava a paisagem da região. Nas imagens gravadas, é possível ver Leilson (com mochila verde e boné preto) se afastando do grupo para uma das pontas da localidade Cadeirinha. Segundos depois, um raio o atinge.
Em entrevista ao, Karlla contou que chegou ao Rio de Janeiro há uma semana com seu marido, e que este seria o último passeio do casal, antes de retornar para Mato Grosso nesta segunda-feira (20).

A turista disse que todos do grupo foram informados da chance de chuva na tarde de domingo, mas que decidiram continuar pelo tempo ser inconstante.
O guia, segundo ela, tinha cerca de 10 anos de experiência, e afirmou que o tempo muda de uma hora pra outra e que o passeio poderia acontecer, pois, apesar da previsão, poderia não chover.
“No meio do caminho começou a chuva, uma garoa. Ele (o guia) perguntou se queríamos continuar e todo mundo decidiu que sim. O guia disse que tinha a chance de chegar no final e ter uma vista com sol”, disse.
Após a queda do raio, Karlla relatou momento de pânico e desespero. Segundo ela, o irmão do guia, que está fazendo curso para seguir a mesma profissão, cuidou dos turistas e levou todos de volta para a cidade.
No total, o passeio a Pedra da Gávea dura duas horas de subida e outras duas horas na descida, e alterna entre trilha e uso de corda de rapel.
A turista ainda disse que todos do grupo sentiram o impacto no momento que o raio caiu. Karlla chegou a ligar para o resgate, mas não conseguia falar. O marido dela fez a ligação e chamou os bombeiros.

