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Dor, desabafo e alívio: o que disseram familiares após condenação de madrasta por envenenamento dos enteados

A condenação de Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos e meio de prisão pelo envenenamento dos enteados provocou reações de dor, desabafo e alívio entre familiares e pessoas próximas de Fernanda Cabral, jovem de 22 anos que morreu após ingerir comida contaminada com “chumbinho” em 2022.

Após o julgamento, que terminou na manhã de quinta-feira (5) no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, parentes e amigos usaram as redes sociais para comentar o desfecho do caso.

Cíntia foi condenada por homicídio qualificado pela morte de Fernanda e por tentativa de homicídio contra Bruno Carvalho Cabral, irmão da jovem, que tinha 16 anos na época e sobreviveu ao envenenamento.

Entre as manifestações publicadas após o veredito está uma mensagem compartilhada pela mãe das vítimas, Jane Cabral. O texto foi escrito pela melhor amiga de Fernanda, Mariana Dias, que acompanhou o julgamento no tribunal.

“Depois de 16h de audiência nós conseguimos! Nada vai trazer a nossa Fefa de volta, mas hoje o coração fica um pouco mais aliviado em saber que a Justiça foi feita. A culpada de ter acabado com a vida da minha melhor amiga e de todos nós está condenada”.

Filho de condenada diz que ‘laço foi rompido’

O filho da ré, Lucas Mariano Rodrigues, que depôs no julgamento como testemunha de acusação, também publicou uma mensagem nas redes sociais após a sentença.

“Única e última vez que venho falar disso aqui. A justiça foi feita! Pra mim, o caso sempre foi bem esclarecido e sempre dormi de cabeça tranquila”.

“Hoje, a história acabou e meu laço foi rompido definitivamente. A gente colhe o que a gente planta”, escreveu Lucas.

Durante o julgamento, Lucas e sua irmã, Carla Mariano, depuseram contra a própria mãe. Os dois confirmaram que Cintia havia confessado os crimes contra Bruno e Fernanda.

Namorado e sogra comentam punição

O namorado de Fernanda na época do crime, Pedro Lopes, também comentou o resultado do julgamento e falou sobre o sentimento de alívio após anos de espera.

“Vitória para todos que lhe amam. Após 4 anos de espera, a justiça está feita. Nada vai trazer a Fernanda de volta, mas minimamente o coração fica mais tranquilo em saber que uma ‘pessoa’ dessa terá o mínimo de punição por tal ato”, escreveu Pedro.

Na mesma linha, Lôra Lopes Costa, mãe de Pedro e muito próxima de Fernanda, também publicou uma mensagem nas redes sociais após a condenação.

“Nada vai trazer mais a vida da nossa Fefa, ela foi ceifada por essa desumana, mas saber que ela foi condenada é fazer justiça e acreditar na Justiça. Que minha ‘filhanora’ consiga seguir na luz, assim como ela era pra todos nós”, disse ela.

O julgamento começou na tarde de quarta-feira (4) e atravessou a madrugada. Após quase 16 horas de sessão, os jurados definiram o veredito em menos de meia hora de deliberação. A sentença foi lida pela juíza Tula Corrêa de Mello pouco antes das 7h de quinta-feira.

Relembre o caso

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Cíntia Mariano envenenou os dois enteados em ocasiões diferentes, em 2022. A acusação afirma que ela colocou “chumbinho”, um veneno ilegal usado para matar ratos, na comida servida aos filhos de seu companheiro, Adeílson Jarbas Cabral.

O primeiro caso aconteceu em março daquele ano. Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, passou mal depois de comer na casa onde o pai vivia com Cíntia. A jovem foi levada para o hospital, ficou internada por quase duas semanas e morreu.

Dois meses após a morte da irmã, Bruno Carvalho Cabral, então com 16 anos, também passou mal depois de almoçar na casa do pai. Ele relatou ter percebido um gosto estranho no feijão e disse que havia “pontinhos azuis” na comida. O adolescente foi socorrido e sobreviveu.

A suspeita de envenenamento ganhou força após o segundo episódio, e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil. Perícias apontaram que as vítimas apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação por carbamato, substância presente no chamado “chumbinho”.

Cíntia foi presa em maio de 2022 e denunciada por homicídio qualificado pela morte de Fernanda e tentativa de homicídio contra Bruno.

Durante a fase de instrução do processo, testemunhas foram ouvidas e a Justiça decidiu levar a acusada a júri popular. O julgamento chegou a ser marcado anteriormente, mas acabou adiado após a defesa abandonar o plenário alegando não ter tido acesso a materiais considerados importantes para o caso.

O júri foi realizado entre os dias 4 e 5 de março de 2026, no III Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Após quase 16 horas de sessão, que atravessou a madrugada, os jurados condenaram Cíntia pelos dois crimes. A juíza Tula Corrêa de Mello fixou a pena em 49 anos e meio de prisão. A defesa informou que vai recorrer da decisão.

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