Um policial penal foi atingido por tiros de fuzil, na tarde deste sábado (28), na porta de casa, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Altamir Senna Oliveira Junior, o Mizinho, foi levado em estado grave para o Hospital Oeste D’Or, na mesma região. Ele é acusado de envolvimento com o contraventor Bernardo Bello.
A polícia ainda não sabe motivação do crime.
O bairro de Campo Grande é um dos sofreram com os ataques de milicianos a ônibus na última segunda-feira (23) após a morte de Matheus da Silva Rezende, de 24 anos, sobrinho do miliciano Zinho.
Mizinho deixou a cadeia há pouco menos de um mês e responde em liberdade por organização criminosa e corrupção ativa.
Ele é policial penal e servidor da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Rio (Seap).
A Rede D’Or informou que tem por política não divulgar nenhuma informação sem autorização do paciente ou familiares.
Em nota, a Polícia Militar disse que homens do 40º BPM (Campo Grande) foram à Rua Macedo Coimbra para verificar uma informação de disparos de arma de fogo. Ao chegar ao local, os agentes foram informados que a vítima foi baleada após sofrer uma tentativa de roubo. O homem foi levado para um hospital antes da chegada da polícia ao local.
O caso foi encaminhado para a 35ª DP (Campo Grande).
A Seap lamentou o episódio e informou que o policial penal segue internado. “A secretaria acrescenta que vai abrir uma investigação preliminar para apurar as circunstâncias do ocorrido. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil”, diz a nota.
Ligação com o jogo do bicho

No final do ano passado, Mizinho foi um dos 26 alvos de uma operação do Ministério Público do Estado (MPRJ) contra integrantes de um grupo que praticava crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro proveniente da exploração de jogos de azar. Os bicheiros Bernardo Bello e Marcelo Simões Mesqueu, o Marcelo Cupim, também foram alvos da ação.
Na casa de Mizinho, as equipes encontraram R$ 31.800 em dinheiro vivo. Ele chegou a ser preso na Operação Fim da Linha. Ele foi denunciado por organização criminosa e corrupção ativa.
Mizinho foi candidato à deputado federal na última eleição. Filiado ao União Brasil, ele recebeu R$ 1,35 milhão do Fundo Eleitoral para sua campanha. Até a última prestação de contas ele tinha declarado ter gasto R$ 1,45 milhão, ficando com uma dívida de campanha de R$ 100 mil.
O lema de campanha do candidato era “Fazer a diferença”. Ao todo ele recebeu 7,8 mil votos e conseguiu uma vaga de suplente, sendo o 17º substituto do partido.
Segundo a investigação da Operação Fim da Linha, Mizinho é intermediário direto do bicheiro Bernardo Bello. Os promotores afirmaram que o inspetor auxiliava e representava Bello em reuniões com contraventores e milicianos.
Para tentar evitar ser grampeado, ele usava três celulares, sendo um deles em nome de terceiros e de uso exclusivo para conversar e trocar mensagens com Bernardo Bello. O contraventor era o único contato salvo no aparelho usado apenas para tratar de “assuntos escusos”, segundo o MP.
‘Sou bandido’
Na denúncia apresentada à Justiça, o MPRJ anexou trocas de conversa entre Altamir e o Bernardo Bello. Em uma delas, ao dizer que recebeu um convite para trocar de quadrilha, Altamir diz que tem “palavra” e é “bandido”. Em diversas mensagens, ele se refere ao contato como “irmão”.
“Irmão, sou de palavra. Trabalho com o crime há 22 anos. Sou cria de favela. Não vou dar mole nunca. Sou bandido”, escreveu.
